Ontem estava assistindo o programa do Serginho Groismann. E num daqueles quadros em que ele escolhe na platéia um jovem para que este seja entrevistado, surgiu a motivação para a criação deste espaço.
Fiquei impressionado porque o tal jovem escolhido, universitário e de boa família como quase todos que participam deste tipo de platéia, afirmou veementemente que era conta a política de cotas nas universidades. Ao ser indagado o porquê desta sua opinião, não soube responder, gaguejou e ao final revelou que achava injusto para com as outras raças.
Estamos no Brasil, em pleno século XXI, já mais de cem anos que a população negra deste país se viu livre da covardia, injustiça e das correntes da escravidão. E até os dias de hoje, embora livre das correntes, sofremos a crueldade do racismo, mas aqui ele é camuflado nas entrelinhas e está muito associado à condição social. E a maioria das pessoas afirma que não têm, que não é racista.
Até porque essa palavra é forte e quando a ouço lembro-me da do período sombrio da África do Sul, é bem verdade que aqui nunca chegamos a tal ponto, mas de forma sutil este racismo é presente e machuca tanto quanto o do Apartheid.
Dessa forma é mais do que necessária uma política de valorização da população negra deste país como forma de amenizar os efeitos que perduram por mais de um século de abandono e descaso governamental.
Porém, ao contrário da grande maioria de negros deste país, não sou a favor da política de cotas, mas sim de uma política de educação pública eficiente, desde o ensino primário, até à universidade, pois só assim os afro-descendentes, deste país poderão aparecer na sociedade, como cidadãos, que são, não vivendo à sombra desta.
Sou contra a política de cotas pelo simples motivo de que Deus, nos moldou à sua imagem e semelhança, portanto, sejamos brancos, negros, asiáticos, perante a Deus somos todos iguais. E admitir que um negro só pode entrar na faculdade se for por meio de reserva de vagas, é para mim um insulto à minha raça, porque não me considero inferior a ninguém, por causa do meu tom de pele.
É como consertar um erro com outro. É querer tampar anos de descaso com políticas eficientes de educação, com uma política frágil, pouco convincente, racista e até inconstitucional no meu modesto entender.
O negro não precisa de cotas. Todos precisamos de educação, e de qualidade sejamos, negros, ou não.